Motoboy cria campanha para conscientizar colegas de profissão

Profissional distribui adesivos e mensagens pelas redes sociais para alertar sobre perigos no trânsito

Numa interminável rotina de acidentes de trânsito registrados em Teresópolis, uma considerável fatia desses eventos envolvem motociclistas. Acostumado com as armadilhas que surgem no ir e vir pelas ruas da cidade, onde seus colegas de profissão costumam ser as principais vítimas, o motoboy Paulo Sérgio Caetano resolveu fazer a sua parte. Usando a imaginação, um pouco do próprio recurso e as redes sociais, espalha frases e mensagens de conscientização aos amigos. O trabalho é pessoal e isolado e não conta com apoio de nenhuma instituição. Porém, os resultados já são notados através das histórias contadas pelos próprios profissionais, que testemunham experiências vividas e situações de risco que foram evitadas com os exemplos divulgados.

“Aconteceu que um dia, passando pelo ‘corredor’ e parando no sinal, um idoso viu que eu me aproximava e se assustou, saindo rapidamente da minha frente. Eu disse pra ele ter calma e ele agradeceu pela educação. Gosto muito de escrever e resolvi criar uma frase para marcar aquele momento”, detalha Paulo Sérgio. “Acontecem muitos acidentes e isso toma maiores proporções a cada dia. Nós vivemos em situação de risco e trabalhamos sob pressão. Depois que entrei na profissão, aprendi que tudo tem que ser muito rápido. Mas, em qualquer profissão, tudo que precisa ser feito muito rápido não fica bom”, compara.

Em sua rotina de trabalho, Paulo Sérgio não abre mão dos equipamentos de segurança e tenta conscientizar os colegas da importância do uso e do respeito às leis de trânsito

Correndo muito

O motoboy Serginho, como é conhecido entre os colegas, assina frases como ‘A melhor entrega do dia é Deus permitindo o meu voltar para casa’, ou ‘Minha vida vale muito mais que fazer de uma entrega uma viagem sem volta’. “A galera tá correndo muito. É hora de parar para poder voltar pra casa, onde sempre tem alguém esperando a gente”, declara. O motoboy divulga suas criações através de seu perfil no Facebook – facebook/paulosergiocateano – ou no corpo a corpo com amigos. “A gente espalha de varias formas. Além das redes sociais, mandei fazer 126 adesivos e distribuí para a galera. Muitos me procuraram para buscar o sei, alguns queriam até pagar. Eu doei entendo a importância de passar a mensagem e conscientizar”, explica.

Desde que começou a espalhar sua mensagem, Paulo Sérgio conta que é constantemente procurado por profissionais do trânsito que querem dividir histórias. “Tenho muitas histórias. Um rapaz que é músico e que trabalha também como motoboy acabou ganhando um adesivo que fiz falando sobre a viagem sem volta. Como ele também vivia na pressão da profissão, numa das entregas acabou se acidentando no Bom Retiro. Ele ficou debaixo de um ônibus. Na hora, ele lembrou da frase. No dia seguinte, saiu do trabalho e foi ficar com a família. Depois me procurou para me conhecer e contar essa história”, relata.

Equipamentos de segurança

Outro ponto destacado pelo profissional é relacionado à importância da utilização de equipamentos de segurança. “São essenciais. Eu uso capacete, óculos de proteção, mata cachorro, cotoveleira, joelheira, colete, antena, tudo. Meus amigos até brincam comigo e me chamam de Serginho Robocop. Não tem problema. Um dia que eu não estava trabalhando, saí sem a cotoveleira e caí numa poça de óleo. Machuquei o cotovelo. Ninguém que debochava foi me visitar, ou sequer ligou. Entendo a importância do equipamento. Se estivesse usando, talvez não teria ficado machucado”, admite.

O profissional não conta com apoio de nenhuma entidade pública, grupo de apoio ou instituição. Ele segue o trabalho solo, corpo a corpo e divulgando nas redes sociais.

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